Estômago de Um Profeta
Assisti Um Profeta na semana passada e não pude deixar de relacionar com Estômago. Mas para falar das semelhanças entre os dois filmes, acho mais fácil começar pelas peculiaridades. No filme brasileiro a culinária e o humor gerado espontaneamente pelas diferenças socioculturais das personagens é marcante. Já o filme francês tem um clima mais pesado, e um dos temas importantes é a interação dos árabes com outras comunidades na frança. O próprio diretor comenta que o filme apesar de ficção, é uma oportunidade de dar espaço para os árabes no cinema francês.
Nos dois filmes os protagonistas perdem a ingenuidade à medida que se submetem a opressão do poder de fato (dinheiro e violência). Nonato (Estômago), depois da desilusão que o colocou na cadeia, começa a entender melhor a realidade a sua volta. Com El Djebena (Um Profeta) parece acontecer o mesmo. Dentro da cadeia, ambos oprimidos por bandidos mais perigosos e influentes, usam suas habilidades para tomar o lugar dos opressores. A partir daí, não existe mais mocinho e bandido. Você passa a torcer por alguém igual.
E nesse caminho está a beleza dos dois filmes: a perda da ingenuidade. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

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